
Apresento a vocês dois gênios da música brasileira dos anos 80: Renato Russo e Cazuza. Ou, Renato Manfredini Júnior e Agenor de Miranda Araújo Neto.
Infelizmente, a maioria das pessoas têm uma visão errada sobre eles. Algunas ressaltam apenas que eram drogados, depressivo, bissexual.
A verdade é que Renato Russo como líder da legião Urbana, tendo vivido na Brasília de um regime militar sob as pressões da ditadura militar que sufocou os adolescentes durante duas décadas e Cazuza como líder do Barão Vermelho e em carreira solo posteriormente e também estava livrando-se das garras da repressão, foram os porta vozes da juventude brasileira.
Um fato curioso é que Renato Russo escreveu em 1974 uma música chamada "Que país é este?" onde passava as podridões da situação política no Brasil. E em 1984, quando lançou o LP com o mesmo título da canção, ele escreveu que não havia lançado a música por pensar que o Brasil poderia mudar, mas foi obrigado a admitir que a situação só piorava. Imagina então, o que ele escreveria hoje em dia?
Cazuza falou de política, como na música "Brasil", mas falou muito mais de amor. Canções como "Faz parte do meu show" , "Eu preciso dizer que te amo" e " Todo amor que houver nessa vida" foram espetaculares.
Não pode-se negar a facilidade de ambos para compôr. Muitas vezes Renato tinha hipnoses na hora de escrever letras. E cazuza, em questão de minutos, tinha um grande sucesso na mão.

Ao invés de ressaltar apenas, os "defeitos" pessoais, deveria-se aproveitar seus exemplos para a juventude que os idolatra. No meu caso, eu sei que não preciso de drogas para ficar legal. Eu sei que isso só os destruiu. Eu sei que a AIDS é uma doença maldita. E a depressão, muitas vezes não parte de nós.
Renato era hipersensivel. Renato era apaixonado. Não digo somente por outras pessoas, mas pelo mundo. Por que não acredito que alguem que ame o mundo não fique depressivo ao ver crianças passando fome. Ou ficar transtornado por que "eles não tem as respostas". Cazuza era um apaixonado de vida. Era o poeta exagerado. Era o menino alegre que se apaixonava por meninos e meninas.
O meu título de overdose não se refere a overdose de drogas, mas sim de amor, de paixão. E é essa overdose que eles transmitem aos seus fãs, e isso pode explicar a idolatria religiosa que Legião Urbana teve como retorno.
É lamentável pensar que eu, nos meus dezoito anos de vida, nunca poderei assistir a um show da Legião Urbana ou do Cazuza. Eu nem vivi na época deles. E isso é o ponto que mais me "atormenta". Não sei o que Renato pensaria hoje em dia. Nunca mais haverá canção nova. Nunca poderei ir ao show do Cazuza e ficar exageradamente apaixonada por um novo sucesso.
Talvez seja isso mesmo. Eles contribuiram para o mundo. Falaram coisas que todo mundo gostaria de falar. E exatamente falavam por não saber. Mas eles deixaram seu nome registrado numa história que certamente não seria a mesma coisa sem eles. Foi uma grande perda a morte prematura de ambos. Mas eles existirão dentro de cada fã enquanto houver uma canção que toque no coração de cada um.